Thursday, October 26, 2006


António Lobo Antunes – Escritor

Boa a entrevista com Judite de Sousa, foi um descanso para a alma, não sei se a alma gosta destas coisas, não sei também o que é a alma sei que ouvi ali um homem falar baixinho, suave e sem pose nenhuma. Só estava, ia-se coçando ou mordendo os dedos ou falando com o queixo dentado sobre as suas mãos.

A Judite estava sempre muito atenta e sorridente, gostava de o ouvir falar dos livros e da escrita e também quando ele falava nas pessoas de quem gostava. Gosta de toda a gente ou quase. Não sei quanto tempo demorou a entrevista, pois também não havia tempo para pensar em tempo, era só deixar o tempo passar suavemente como o discurso terno do António.

Eu não o conhecia bem, fiquei a conhece-lo melhor. Parecia um deslizar de ternura e paz. Um envolvimento no livro de que falava e de outros como se fosse de uma família grande e boa. Houve muitas coisas que ouvi e gostei mas já não quais foram, só sei que era qualquer coisa muito diferente das lutas de galos entre pessoas que querem atingir algo de proveitoso e ali não havia nada disso.

Já não digo mais nada antes que estrague tudo o que se passou na Grande Entrevista da Judite.
Adeus até à próxima.

Eduardo Moreira

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