Wednesday, February 28, 2007


Helena Chainho
Exposição de Trapologia - Biblioteca Municipal

Grândola

Linda terra para amar
Eu trago no coração,
Terra da fraternidade,
Lá diz a velha canção

Saí de lá p´ra vencer
Sinto amor, tenho saudade
Dos tempos da mocidade
Nunca mais posso esquecer,
Foi trabalhar a valer
Nos campos desde o raaiar,
Foi sorrir p´ra não chorar
Por veredas ao alvorecer,
Tanta coisa para dizer
Linda terra para amar

Pelos campos, manhã cedo
Pisando a geada fria,
Pensando na fantasia,
No direito à liberdade,
Recusando a caridade,
Cantando com emoção,
Sem matar a ilusão,
A vontade de querer,
E a vontade de viver
Eu trago no coração.

Da terra que me deu vida,
De tão bela natureza,
De tão selvagem beleza
Que não se pode esquecer
Que tudo dá para comer,
Onde o silêncio é saudade
Onde a paz e a lealdade
São fortunas de valor,
São primaveras em flor,
Terra da fraternidade

Entre planície e montado,
Adiando o que é urgente,
Do direito que se sente
De ter algo para comer,
Onde tanto há por fazer,
Tanta terra p´ra dar pão
De doer o coração
Por tudo quanto morreu
O povo jamais esqueceu
Lá diz a velha canção.

Tuesday, February 27, 2007


A guerra preparada contra o Irão

Mais um erro crasso dos EUA e de Israel, ao anunciarem a preparação de um ataque ao grande País que é o Irão. Estes Países e os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU onde se encontram – Reino Unido, EUA, França, China e Rússia – e da Alemanha insistem em encontrar as melhores Sanções contra o País Irão.

Esta gente continua a pensar que pode tratar um País (seja ele como seja, é um País) como quem está a ralhar a um menino de escola que faz algumas maldades.

A ONU não gosta deste modo de actuar, mas também não é capaz de se afirmar no seu papel moderador. Está mais do que provado que recorrendo ao uso da força depois de tantas ameaças só pode levar a mais um fracasso, como está a ser o Iraque e também com o Afganistão, para não falar no Vietname.

Há um sentimento fortíssimo, de humilhação, por parte do Mundo Islâmico, agarrados a uma religião demasiado rígida e também por outras razões que vêm de trás. Ora, aí está o ponto sensível de toda a questão. Os outros Países deste nosso Globo têm a obrigação de compreender os sentimentos frustrantes destes milhões de seres humanos, que são nem mais nem menos do que todos nós.

Não é, pois, com os sofisticados armamentos em poder, numa das partes, que vão resolver o que quer que seja, pelo contrário agravam terrivelmente o equilíbrio que deveria haver em todo o Globo. Viu-se depois do 11 de Setembro 2001, que havia ali uma espécie de revolta nas almas dessas pessoas todas e vai daí homens e mulheres bombas, peito para a frente e morrem assim porque não têm outro meio de afogar a humilhação que lhes vai na alma.

Tive na hora a percepção que ali deveria de estar uma voz de compreensão do que tinha rebentado, não as Torres Gémeas de Nova Iorque, mas sim uma vontade de gritar ao mundo e dizer basta de os achincalharem. Eu disse logo naquela hora, “Não retaliar” , vão saber a razão do ódio, essa era e é a questão.

Quase ninguém sentiu esse simples pensamento, muitos diziam que não tinham com quem dialogar, mas tinham se tivessem essa vontade. Mário Soares, já bem mais tarde, disse-o na televisão e foi largamente criticado. Mais tarde já se ia aceitando isso, o diálogo, mas nas armas dos poderosos é que (não) se procuram as razões.

Mahmoud Ahmadinejad Presidente do Irão é uma amostra do que se está a passar, não suporta mais humilhações e expõe o corpo às balas. Com que direito, alguém pode ameaçar esmagar tudo naquele País só porque acha que ele é mais mau do os outros.

Eduardo Moreira

Sunday, February 25, 2007


ZECA AFONSO

Menino D'Oiro

O meu menino é d'oiro
É d'oiro fino
Não façam caso
Que é pequenino
Não façam caso
Que é pequenino

O meu menino é d'oiro
D'oiro fagueiro
Hei-de levá-lo
No meu veleiro
Hei-de levá-lo
No meu veleiro

Venham aves do céu
Pousar de mansinho
Por sobre os ombros
Do meu menino
Do meu menino
Do meu menino

Venham comigo venham
Que eu não vou só
Levo o menino
No meu ternó
Levo o menino
No meu ternó

ZECA AFONSO
(os vinte anos da sua morte)

Grândola Vila Morena
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade



Saturday, February 24, 2007


"Poema da malta das naus"

Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do Sol.

Deu-me o vento de feição,
levou-me ao cabo do mundo.
pelote de vagabundo,
rebotalho de gibão.

Dormi no dorso das vagas,
pasmei na orla das prais
arreneguei, roguei pragas,
mordi peloiros e zagaias.

Chamusquei o pêlo hirsuto,
tive o corpo em chagas vivas,
estalaram-me a gengivas,
apodreci de escorbuto.

Com a mão esquerda benzi-me,
com a direita esganei.
Mil vezes no chão, bati-me,
outras mil me levantei.

Meu riso de dentes podres
ecoou nas sete partidas.
Fundei cidades e vidas,
rompi as arcas e os odres.

Tremi no escuro da selva,
alambique de suores.
Estendi na areia e na relva
mulheres de todas as cores.

Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse, fui eu.

O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.

António Gedeão in "Teatro do Mundo", 1958

SONETO DO CATIVO


SONETO DO CATIVO

Se é sem dúvida Amor esta explosão
de tantas sensações contraditórias;
a sórdida mistura das memórias
tão longe da verdade e da invenção;

o espelho deformante; a profusão
de frases insensatas, incensórias;
a cúmplice partilha nas histórias
do que outros dirão ou não dirão;

se é sem dúvida Amor a cobardia
de buscar nos lençóis a mais sombria
razão de encantamento e de desprezo;

não há dúvida, Amor, que te não fujo
e que, por ti, tão cego, surdo e sujo,
tenho vivido eternamente preso!

David Mourão Ferreira, Os Quatro Cantos do Tempo


Thursday, February 15, 2007


For you, The Queen

Altiva e elegante deslizas pela manhã sem mangas,
Lanças o teu charme espalhar-se no teu dia,
Ficas feroz à contrariedade e te zangas,
És doce quando queres, arisca e fingi dia.

Determinada e consistente, arrasas...
Quando queres, não é para hoje é para ontem,
Cantando o Amor o teu coração tem asas,
A tua rebeldia suicida, o orgulho sustém.

Para a Natureza corres-te,
Enfrentando as tuas inimigas vacas bovinas,
A decisão é tua, com coragem, na mata te metes-te,
Há a pureza do ar, é uma grande paixão, um dia te zangas e afinas.

Wednesday, February 07, 2007


D. Afonso Henriques

Uma alma encontrada, lá fora na geada,
Um frio persistente cá fora e na mente,
Aquece-me a alma, um pouco de nada,
Parece que é pouco mas é muito, é gente.

O Afonso que é nosso, é agora lembrado,
São outras conquistas pelo orgulho passado,
É algo singelo num tempo marcado,
Outras espadas, nas dele inspirado.

Lisboa a nossa cidade, de um Portugal uno, pois então,
Espraiada no Tejo, num abraço ao passado,
Vira-se para dentro, em união,
Sendo cada um de nós, um português orgulhado.

Eduardo Moreira

Monday, February 05, 2007


O Não às Guerras


Eu sou um votante do "Nâo" com alguns "posts" sobre este tema.
As minhas opções vêm desde, praticamente, o 11 de Setembro de 2001, embora o meu primeiro Blogue tenha começado em Agosto de 2005.

As minhas convicções de Humanidade estão bem vincadas nos meus "posts". É "Naif " mas infelizmente não me enganei nunca acerca das opções de guerra que foram tomadas, depois do 11 de Setembro 2001.

Há que contrariar esta espiral de morticínio que se vê todos os dias.

No dia 11 de Setembro 2001, estava eu em Paris a comemorar as minhas Bodas de Prata e na hora em que estalou o ataque às Torres Gémeas. a minha primeira reacção foi "NÃO RETALIAR". Porém não foi essa a atitude do Presidente Bush.

Os resultados aí estão... Humanamente é preciso falar com os que têm muito ódio dentro de si. Os EUA deviam saber isso lá no Alto do seu poderio.

Eduardo Moreira

Sunday, February 04, 2007


Alexandre Quintanilha, Físico/Biológico

Foi delicioso ouvir e ver, na passada Quinta-Feira, a Grande Entrevista de Judite de Sousa com o Físico/Biólogo Alexandre Quintanilha, que nos presenteou com momentos de grande clarividência e Humanidade.

Fiquei também satisfeito com a coincidência de opinião com o que escrevi no meu “post” de 22 de Janeiro de 2007. Não, Com Certeza.
Realmente, a melhor campanha é aquela mais óbvia e simples. Estamos no ano 2007, não nos tempos de David, Ananis, Saul, Benjamin, Cain e Abel.
Somos mais humanos, andamos para a frente, não para traz. É inimaginável agora, alguém pensar que a punição física ou psicológica, faz algum sentido.


Às vezes parece que estamos a andar para traz, mas não estamos, logo recuperamos. Neste caso concreto, em que todos estamos a debater, é positivo, não porque traga agora bons resultados, mas porque estamos a pensar nestas importantes coisas. O meu pensamento, logo de início, foi o que escrevi no Blogue a 22 de Janeiro 2007, e foi simples, exactamente como eu sou.


Votar no “NÃO” porque é a não-aceitação de uma coisa que não é normal, ou seja, fazer! Muita, gente faz, e muitas vezes, e quase sempre a arder por dentro, ninguém lhe pode apontar o dedo, mas continua a ser inaceitável.


Não se pode branquear uma coisa só porque há muita gente que a faz. Esta é uma verdade bem compreensível.A nossa consciência é a mãe de todas as dúvidas. E como disse Alexandre Quintanilha, que todos gostámos de ouvir, não é uma Lei ou outra Lei é sim a nossa consciência.


Ninguém nos pode apontar o dedo nem atirar a primeira pedra. E que tal, quem pode, dê uma boa ajuda aqueles que dela precisam, aí sim está a solução.

Eduardo Moreira