Saturday, April 28, 2007


Nua

Porque me despes completamente
sem que eu nem perceba...
E quando nua
por incrível que pareça
sou mais pura...
Porque vou ao teu encontro
despojada de critérios...
liberto os mistérios
sem perder o encanto
do prazer...
Porque
quando nua
sou única
e exclusivamente
tua...


Conheço o sal...

Conheço o sal da tua pele seca
Depois que o estio se volveu inverno
De carne repousada em suor nocturno.

Conheço o sal do leite que bebemos
Quando das bocas se estreitavam lábios
E o coração no sexo palpitava.

Conheço o sal dos teus cabelos negros
Os louros ou cinzentos que se enrolam
Neste dormir de brilhos azulados.

Conheço o sal que resta em minhas mãos
Como nas praias o perfume fica
Quando a maré desceu e se retrai.

Conheço o sal da tua boca, o sal
Da tua língua, o sal de teus mamilos,
E o da cintura se encurvando de ancas.

A todo o sal conheço que é só teu,
Ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,
Um cristalino pó de amantes enlaçados
.

Friday, April 20, 2007


Não humilhem os mais pobres.

Universidade Virginia Tech


Mortos chegaram a 33 em Universidade nos EUA.

O que se passou na Virgínia é um sinal do que se passa no Mundo, ou seja, os mais pobres já não aceitam a humilhação de nada poderem fazer perante o poderio dos que tudo têm. Têm tudo até demais, a riqueza em excesso esmaga qualquer abordagem a uma relação normal entre todos os seres humanos os mais desenvolvidos e os que sentem na pele um trabalho diário a músculo para poderem dar aos filhos aquilo que eles não puderam ter.

Um Pai oriundo da Coreia do Sul sofre o desgosto de ver o seu filho matar 33 colegas, alunos na Universidade. É duro, mas foi o que aconteceu.

Há uns anos atrás as pessoas que viviam no limiar da pobreza aceitavam qualquer vexame para não perderem o pouco que iam tendo, calando no silêncio da sua vida para não perderem o emprego.

Actualmente, outro galo canta, alguém, no seu íntimo, diz basta. Aonde está a civilização no ano 2007? A civilização do Globo? Nada, onde está a Humanidade? A arrogância dos mais fortes perante os mais fracos. Há aqui uma similaridade com muitos casos em chamas actualmente, exemplo o Iraque, o Irão, o Afeganistão e por aí.

Quando é que as grandes potências e as de menor dimensão assumem uma postura humanizada e vão falar com os que já não aguentam mais ser humilhados, dia após dia. Quando é que os poderosos vêm com olhos de ver que não é à paulada e à pedrada e ao míssil teleguiado que se chega ao entendimento e ao respeito mútuo.

Vem do 11 de Setembro o culminar da paciência num mundo impaciente. Quando desta catástrofe, onde homens se metem em quatro aviões e os lançam contra a Bela América na extraordinária Nova Iorque e Washington. Tenho o privilégio de ter vivido naquele extraordinário País, na data ainda bem calmo no tempo do Presidente Clinton e os seus prazeres naturais.

No dia da catástrofe (September Eleven 2001), a primeira coisa que me ocorreu foi: Não Retaliar. Pois, fizeram exactamente o contrário, vai de avançar com todo o manancial de fogo. E pronto, de cabeça perdida aí estão os amigos e aliados na Cruzada contra os infiéis. Escrevi desde o início no meu Blogue MorbidMan e mais tarde no MorbidMan-Naif, que estava meio mundo a ver o filme às avessas.

Vamos para a porrada e pronto, põe-se tudo à molhada e castigam-se os maus com todo o rigor, e em menos de nada está tudo nos eixos. Claro como a água, ainda hoje anda tudo em afogadilho para tentarem saber como sair da trapalhada em que se meteram, tiveram já muito próximos de se envolverem a “castigar” o Irão que não se está a portar bem e não faz o que os bons mandam, este Irão está mesmo irrequieto a ONU já decidiu castiga-lo e tem de ser.

Eduardo Moreira

Thursday, April 19, 2007


My Heart Will Go On
(Celine Dion)


Every night in my dreams
I see you, I feel you
That is how I know you go on

Far across the distance
And spaces between us
You have come to show you go on.

Near, Far, wherever you are
I believe that the heart does go on
Once more, you opened the door
And you're here in my heart
And my heart will go on and on

Love can touch us one time
And last for a lifetime
And never let go till we're gone

Love was when I loved you
One true time to hold on to
In my life we'll always go on

Near, far, wherever you are
I believe that the heart does go on
Once more, you opened the door
And you're here in my heart
And my heart will go on and on

You're here, there's nothing I fear
And I know that my heart will go on
We'll stay, forever this way
You are safe in my heart
And my heart will go on and on.




NO WOMAN NO CRY - Bob Marley


Said - said - said: I remember when we used to sit
In the government yard in trenchtown.
And then georgie would make the fire lights,
As it was logwood burnin through the nights.
Then we would cook cornmeal porridge,
Of which Ill share with you;
My feet is my only carriage,
So Ive got to push on through.
But while Im gone, I mean:
Everythings gonna be all right!
Everythings gonna be all right!
Everythings gonna be all right!
Everythings gonna be all right!
I said, everythings gonna be all right-a!
Everythings gonna be all right!
Everythings gonna be all right, now!
Everythings gonna be all right!

So, woman, no cry;
No - no, woman - woman, no cry.
Woman, little sister, dont shed no tears;
No, woman, no cry.

I remember when we used to sit
In the government yard in trenchtown.
And then georgie would make the fire lights,
As it was logwood burnin through the nights.
Then we would cook cornmeal porridge,
Of which Ill share with you;
My feet is my only carriage,
So Ive got to push on through.
But while Im gone:

Tuesday, April 17, 2007


Amar o Amor

Escrever sim, para quê?
Para na memória morar?
Para na História ficar?
Para a ti, te chamar.

Eu tenho um cavalo branco,
E tenho outro de outra cor,
Tenho mágoas na garganta
E não te posso chamar, amor.

Fico assim, sem te ver,
Não te quero escrever,
Também não quero morrer,
Tenho pouco para te dizer.

A mudança que se almeja
A vontade e o querer
Vais em frente de contente
Não tens medo de sofrer.
...Moises. O Amor tornam-nos capaz de amar.

Ultrapassas a trapaça,
Sentes que vai vencer.
A tristeza na Natureza,
Uma vida a não perder.

Não gostas de estar sozinha.
Assim, só, sem alguém, que venha do mar
A vida não se quer pobrezinha,
Tens que ter alguém, para amar.

Eduardo Moreira

Tuesday, April 10, 2007


Erros meus, má fortuna, amor ardente

Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que pera mim bastava amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa [a] que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!

Luís de Camões

Thursday, April 05, 2007

Se tu viesses ver-me...


Se tu viesses ver-me...

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...


Florbela Espanca
Volúpia

No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frémito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!

A sombra entre a mentira e a verdade...
A núvem que arrastou o vento norte...
--- Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!

Trago dálias vermelhas no regaço...
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!

E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças...

Florbela Espanca