Thursday, May 31, 2007


Mais um a abandonar o posto

Cada um pensa em si e pronto, muda-se para a Câmara municipal de Lisboa e é porque gosta de voltar onde já esteve. Deixa para trás o projecto em que estava envolvido. Parece muito feliz com o facto de darem ao craque o que o craque quis. O homem ainda está mais inchado.

Não sei se é influência do burro, teve efeito. O que mais me incomoda é o facto desta gente querer parecer tão zeloso nas pretensões que se denuncia num egoísmo atroz.

Diz que gosta e concorrer à Câmara de Lisboa e vai para a campanha já com a convicção de que ganha, é o craque do burro, são favas contadas e o trabalho que estava a fazer que se lixe, o homem quer ser o Presidente da Câmara e o PS bate palmas, porque o PS vai ganhar a Câmara e isso é importante para o PS.
O País que vá à fava o que interessa é o PS ganhar a Câmara de Lisboa. Temos o Governo á
deriva, está parado, diz Marcelo, o País está estupefacto com tanta confusão arranjada. O Primeiro - Ministro, pelos vistos bateu palmas á saída do seu braço direito no Governo. Não sabe dizer que não, não vá perder a CML.

início do mandato acreditei no Primeiro – Ministro, cheguei a escrever que era tempo de amar e não de reivindicar. Contudo fui-me desacreditando, mais uma vez dos políticos, vivem não sei para quê, nada melhora, os anos passam e as coisas ficam na mesma. Ainda pensei ingenuamente, que era desta vez que íamos começar a por as linhas nos carris. Nada.

Não seria mais digno para o Sr. Ex: Ministro que gosta da Câmara, manter-se no seu lugar a preparar-se fazer a sua obra e a complementar o Governo nas muitas e delicadas tarefas que têm pela frente, desleixando por completo a obra que tinham pela iniciado.

Não seria com dignidade que se pusesse à frente todo um trabalho que vergonhosamente se vem arrastando pelo egoísmo e hipocrisia só porque se vai ”perder” a CML.

Há tanta gente competentíssima para o cargo como é o caso de Helena Roseta, que até é do PS e que pela entrevista que deu no Canal 2 da RTP mostrou ser altamente capaz para assumir uma reviravolta limpa e competente na CML. O Sr. Costa devia ser reenviado para o Governo e devia gostar de levar o seu trabalho até ao fim. Que falta de dignidade.

Eduardo Moreira

Saturday, May 26, 2007


Sábado à tarde

Sábado à tarde, depois da refrega com a moto cultivadora, buscando um alisar e limpar de terras, terras essas, bravias indomáveis, no seu muito tempo de preguiça, quando largadas ao seu destino e maltratadas, com pedras à mistura. É um doer de alma ver coisas importantes abandonadas, como que de nada valerem, embora engajadas na Quinta e na vontade de quem quer trabalhar para as coisas mudarem.

Em terras barrentas a tormenta aumenta na dureza da coisa, não chega a impregnação das pedras encaixadas e adormecidas há muito tempo, como também o barro bravio (slão?) que recusa aceitar no seu interior a almejada água que com a vontade colaborante das raízes faz aparecer as belas e variadas folhas das ainda noviças arvores, crescendo paulatinamente a caminho do céu e da felicidade eterna.

A chuva milagrosa não se tem portado mal, mal se assusta com um já ameaçador sol, e, como por milagre, cai do céu a frescura prometedora e a bênção da água. E assim se anima um sábado à tarde. Para amanhã, descansado com o comportamento da Mãe Natureza até dá para uma visita à Feira do Livro no Parque Eduardo VII e também assistir à final da Taça de Portugal no Estádio Nacional.

Que ganhe o Sporting é a minha sede, embora o Belenense goze também da minha simpatia.

Eduardo Moreira

Friday, May 25, 2007

Grândola Vila Morena


Grândola Vila Morena

É aqui que estou na Vila vindo da Biblioteca Municipal, está-se bem, inspira a calma e carisma desta Cidade do Zeca, é assim que se sente alguma humanidade em comparação com o que se vai vendo nesta blogosfera e no globo, neste mundo louco em que se vive actualmente.

O cair da chuva nestes dias traz ainda mais frescura ao lugar.Uma das coisas mais perturbantes nestes dias que passam mostram-se, por exemplo nas manobras no Golfo Pérsico, querem talvez amedrontar um País mais pequeno e a alguns anos luz do poderio bélico do EUA.

Estes ainda não perceberam que as ameaças não resolvem nada, pelo contrário acicatam deveras os povos que se sentem humilhados. Por aí não belicistas incorrigíveis.

Os homens amam a guerra, ouvi um dia destes um poeta dizer, mas com os poetas também as pessoas às vezes não ligam, mas deviam.Uma coisa que me deixa preocupado á o facto terem passado dois anos deste Governo, no qual acreditei na esperança de ser desta que se ia pôr as coisas na ordem e alinhar com os nossos companheiros da União, mas não está tudo a derrapar e voltamos ao ciclo vicioso.

E eu que estava até cheio de esperança.Há um ministro que acho estranho, perguntam-lhe coisas sobre assuntos importantes que merecem uma eficaz atenção e perante montes de pessoas a quererem ver melhor grandes investimentos e a atitude do Ministro Mário Lino é de desprezo, orelhas moucas, rindo-se não sei de quê e a que propósito e pronto.

Ontem, creio eu, saiu-se com aquela apalhaçada desboca dela de menosprezar a Margem Sul. O Primeiro Ministro tem alinhado também nas orelhas mocas.Estou só numa Biblioteca não quero tirar a vez a outros. Pensem no nosso País, amem-no e tudo correrá bem.

Eduardo Moreira

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Thursday, May 24, 2007

Israel


Israel


No estrangeiro se está quando é preciso, se for em Israel também não é mau tirando as cócegas que vão fazendo vizinhos com vizinhos, de um lado não gostam dos que chegaram mais tarde de outro lado não gostam os que chegaram há muitos, muitos anos.

Os primeiros são mais espertos, começaram a ler a Bíblia desde o início mas, inteligentes impuseram a si próprios que todos deveriam saber ler a Bíblia, ou seja, saber ler não era só para alguns eruditos mas sim para todos, todos mesmo, logo nunca seriam ignorantes, logo aprenderiam desde cedo a entranharem-se no mundo fascinante da cultura e da curiosidade da descoberta das coisas e melhor ainda, do entendimento da vida.


Tenho um familiar que está a caminho de Telavive, em trabalho, será quiçá uma experiência interessante, sabendo ainda que algures, não longe das fronteiras os Obuses e não só, vão voando com o destino da destruição.

O seu próprio desenvolvimento é também uma ameaça contínua para todos e mais ainda para os militares, que esses, estão sempre mobilizados homens e mulheres, mais novos ou mais velhos. Conheci uma Senhora Israelita pela Net que horrorizava quando eu lhe dizia que havia alguma arrogância da parte de Israel dada a diferença de capacidades bélicas.


A Senhora zangou-se mesmo comigo pois disse-me que tinha um filho nas fileiras da guerra e já tinha perdido o marido naquelas batalhas intermináveis e cada vez mais assanhadas.

Falava-se às vezes (escrevia-se também) em eliminação selectiva por parte de Israel e por parte dos EUA dizia-se “se não fizerem o que queremos” nós dizemos sim. Uma ameaça velada contra o Irão que estaria ou estará a produzir poderio Nuclear.


Desde 2001 que protesto no papel e na Net a forma errada de encararem estas assimetrias horrorosas, mas segundo li há uns dias os homens gostam da guerra será?.

Eduardo Moreira

Wednesday, May 23, 2007

Maio 23,007


É assim a pobreza

Maio 23,007

Não chove, para Sul vêm umas pingas, só pingas. A Sul tudo está quente, como a gente que é assim, que seca, o que vale é que hoje temos jogo, da liga de Campeões da Europa.

Liverpool-AC Milan. Agora é assim, estamos todos inscritos na grande Europa, e assim faz sentido, união é a palavra certa, isoladitos, não cola bem, integraditos também não está mal. Eu sou um torcedor do Chelsea de José Mourinho, pois, gostamos sempre de ver o País e os nossos conterrâneos fazerem figura e traz sempre uma mais-valia para o ego.

Andamos por aqui ainda muito com a borda fora de água mas enfim é a nossa sina, falamos muito mas realizamos pouco e estas classes com muita classe é uma coisa muito pró incrível, diferenças que a tal classe alta, acha isso muito normal, um dia virão a compreender esta injustiça e pouca vergonha. Temos o dever de olhar para os nossos semelhantes.

Faz-me lembrar a saga dos ricos muito ricos e os pobres muito pobres. Nas Terras de todo o País há o João que não tem tostão porque tem filhos e os empregos são muito precários, quem lhes acode, ninguém se rala com o João e a sua prole. A descrição da pobreza é algo que faz doer, custa. Em tempos atrás as pessoas até achavam normal, somos pobres, é assim que temos de viver com a graça de Deus.

Os tempos estão sempre a mudar e os ventos vão soprando para outras atitudes perante os valores assumidos pela gente que já conhece o que são os abusos de outrora, algumas vezes sem o saberem eram rudemente explorados e de forma oportunista, levando as pessoas a saberem sempre pouco, vendo assim a sua vida facilitada em detrimento dos pobres.

Pior para todo um País que se quer desenvolvido, ombreando com os demais, fazia-lhes jeito manter e continuar um povo iletrado. É esta a herança que os Senhores deixaram, aqui andamos a penar. Um dia terão de limpar a face.

E.M.

Tuesday, May 22, 2007


Romance – Maio 22, 07


Vai devagarinho, o romance, quer dizer algo, tirar de dentro pôr cá fora, uma alma singela, altruísta, amante da vida e das boas causas. É ao sabor da “pena” deixá-la deslizar, correr pelo pensamento, pelo amor, pelo destemor.


As árvores tremeram hoje com o calor, a chuva esteve por cá, mas mais acima a Norte, quando as tenras folhas estremecem, frágeis e delicadas, ficam assustadas, à que correr para lhes acudir a elas, as tenras folhas. Por baixo está o segredo, as raízes, esforçam-se ao máximo para sacarem alguma humidade, estão entre a vida e a morte. Será que se salvam? A ver vamos os cuidados intensivos são precisos.


A acção é importante quando se quer mover algo belo e que tem pés, mãos e alma para andar. É um tempo de paciência e de querer. O dia de hoje tem sido normal, é o primeiro dia registando, transportando o mexer da vida presente e passada, as emoções fortes, um toque no rasgar da vida e no desgaste pelo tempo, no voar das ilusões e no ansiar por outras.

Vamos trabalhar no alpendre para combater o implacável sol a fustigar as paredes tornando os interiores tão quentes como as paredes exteriores. E, é assim “simplex” navegar pela Net e navegar pelas pequenas e grandes coisas, quiçá ficcionadas, procurando o imago profundo a paixão da vida. Terras altas, terras duras perto das estrelas e da estrela de cada um.

Espera-se mais um dia de “calma”. A pequena”Madeleine” continua ausente do seu mundo natural, entretanto quem se achou no direito de perturbar a vida de uma alma inocente? É assim que está este Mundo, que devia estar melhor, muito melhor do que está.
E.M.

Thursday, May 17, 2007


Florbela Espanca - A força do amor
Languidez

Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
Que poisam sobre duas violetas,
Asas leves cansadas de voar...

E a minha boca tem uns beijos mudos...
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
Traçam gestos de sonho pelo ar...

Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!
...

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
«Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!...»

Fumo

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas;
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

O nosso mundo

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?...
Que importa o mundo seus orgulhos vãos?...
O mundo, Amor?... As nossas bocas juntas!...

Wednesday, May 16, 2007

Crianças abusadas

Perde-se a voz, perde-se o animo perde-se a vontade de escrever, nenhum tema apa
rece no fundo da alma, está tudo para lá de Bagdad. Como sempre fala-se de tudo por aí, mas os assuntos parecem-me todos gastos, é o dia a dia da desgraça e do disparate.


Até aquele horror do rapto da menina Madeleine me parece gasto, cada dia que passa aumentam os casos incompreensíveis e horrorosos e o mundo está a ver as coisas passarem como de uma coisa normal se tratasse.


O mais inverosímil é que não se pode cortar o mal pela raiz dado que as pessoas envolvidas nestes crimes estão agarrados ao crime por vício e impotentes para darem um passo atrás, crentes que seja justificável, não reconhecendo já o drama em que estão envolvidos e assumindo-o como que vergados a uma volta de cento e oitenta graus, na sua própria mentalidade, ao lado destes ainda aparecem os negociantes do crime.


A primeira acção deve ser a compreensão desta reviravolta que se opera no cérebro, mudaram-lhe as regras e a partir daí o regresso à normalidade humana é praticamente impossível. Os psicanalistas fazem zero, falam que se desunham, tudo muito elaborado e muito enrolado e daí não passam, não se pode contar com eles.

Há todo um tipo de viciados, nas coisas bastante leves e outras bastante pesadas e é nestas que as coisas são realmente muito graves. Enquanto não houver alguém que compreenda este fenómeno e avance para uma campanha maciça de alerta para esta chaga das sociedades em todo o Mundo nada se resolverá e o drama aumentará até se ter de tomar medidas violentas na libertinagem mundial.

Eduardo Moreira

Friday, May 11, 2007

Bocage


Bocage


As filhas do Mondego a morte escura,
Longo tempo, chorando, memoraram.CAMÕES, Lusíadas. Canto 3, cxxxv
A UlinaSoneto dedicatório

Da miseranda Inês o caso triste
Nos tristes sons, que a mágoa desafina,
Envia o terno Elmano à terna Ulina,
Em cujos olhos seu prazer consiste.

Paixão, que, se a sentir, não lhe resiste
Nem nos brutos sertões alma ferina,
Beleza funestou quase divina,
De que a memória em lágrimas existe.
Lê, suspira, meu bem, vendo um composto
De raras perfeições aniquilado
Por mãos do Crime, à Natureza oposto.
Tu és cópia de Inês, encanto amado;

Tu tens seu coração, tu tens seu rosto...
Ah!, defendam-te os Céus de ter seu fado!

Wednesday, May 09, 2007

Tratado de Roma. 9 de Maio. 5o anos.

Regras de

utilização do logotipo por terceiros Logótipo dos 50 anosEste é o logotipo escolhido para a comemoração dos 50 anos do Tratado de Roma. Será utilizado por todas as instituições da União Europeia, nas comemorações, eventos e publicações relacionados com o aniversário. Convidam-se os Estados-Membros, as autoridades regionais e locais e as ONG, empresas e cidadãos a utilizar o logotipo em qualquer evento que organizem e que esteja relacionado com os 50 anos da União Europeia.Para além da versão original, o logotipo existe em 23 línguas da União Europeia.O que simboliza O logotipo de comemoração dos 50 anos da União Europeia representa graficamente a voz de todos os europeus, especialmente das novas gerações. Estes europeus querem paz, estabilidade e prosperidade, mas sem abdicarem do seu direito à individualidade e à diversidade.A palavra «Juntos» exprime de uma forma simples e directa tudo o que estava inicialmente subjacente à ideia da Europa:não apenas a política, ou o dinheiro, ou as fronteiras geográficas, mas sobretudo a cooperação e a solidariedade.Os diferentes caracteres representam, através dos diferentes grafismos, a diversidade da história e da cultura europeias, mantendo-se «juntas» (together) pelo significado da própria palavra.Utilização do logotipo A Comissão Europeia adquiriu os direitos de autor do logotipo, podendo assim apresentá-lo e reproduzi-lo sem restrições de meios ou do número de cópias em todas as línguas oficiais da União Europeia, presentes e futuras, e sem restrições territoriais.Os terceiros que, com excepção das instituições da UE, pretendam utilizar o logotipo, na forma e línguas autorizadas pela Comunidade, podem fazê-lo gratuitamente, desde que cumpram as seguintes condições:

Tuesday, May 08, 2007


Elvis Presley

Are You Lonesome Tonight?

Are you lonesome tonight
do you miss me tonight
Are you sorry we drifted apart
Does your memory stray to a bright sunny day
When I kissed you and called you sweetheart
Do the chairs in your parlor seem empty and bare
Do you gaze at your doorstep and picture me there
Is your heart filled with pain, shall I come back again
Tell me dear, are you lonesome tonight

I wonder if you're lonesome tonight
You know someone said that the world's a stage
And each must play a part
Fate had me playing in love you as my sweet heart
Act one was when we met, I loved you at first glance
You read your line so cleverly and never missed a cue
Then came act two, you seemed to change and you acted strange
And why I'll never know
Honey, you lied when you said you loved me
And I had no cause to doubt you
But I'd rather go on hearing your lies
Than go on living without you
Now the stage is bare and I'm standing there
With emptiness all around
And if you won't come back to me
Then they can bring the curtain down

Is your heart filled with pain, shall I come back again
Tell me dear, are you lonesome tonight?


Monday, May 07, 2007


FADO DO ESTUDANTE


Fado do Estudante (também conhecido pelo nome "fado do Vasquinho")

Que negra sina ver-me assim
Que sorte e vil degradante
Ai que saudades eu sinto em mim
Do meu viver de estudante

Nesse fugaz tempo de Amor
Que de um rapaz é o melhor
Era um audaz conquistador das raparigas
De capa ao ar cabeça ao léu
Sem me ralar vivia eu
A vadiar e tudo mais eram cantigas

Nenhuma delas me prendeu
Deixa-las eu era canja
Até ao dia que apareceu
Essa traidora de franja

Sempre a tinir sem um tostão
Batina a abrir por um rasgão
Botas a rir num bengalão e ar descarado
A malandrar com outros tais
E a dançar para os arraiais
Para namorar beber, folgar cantar o fado

Recordo agora com saudade
Os calhamaços que eu lia
Os professores da faculdade
E a mesa da anatomia

Invoco em mim recordações
Que não têm fim dessas lições
Frente ao jardim do velho campo de Santana
Aulas que eu dava se eu estudasse
Onde ainda estava nessa classe
A que eu faltava sete dias por semana

O Fado é toda a minha fé
Embala, encanta e inebria
Dá gosto à gente ouvi-lo até
Na radio - telefonia

Quando é cantado e a rigor
Bem afinado e com fulgor
É belo o Fado, ninguém há quem lhe resista
É a canção mais popular, toda a emoção faz-nos vibrar
Eis a razão de ser Doutor e ser Fadista


O "Fado do estudante" foi interpretado pela primeira vez por Vasco Santana no filme "A Canção de Lisboa" de Cottinelli Telmo.

Realizado em 1933, foi o primeiro filme sonoro feito em Portugal.

Sunday, May 06, 2007

Formas de amor

Formas de amor

Necessitamos de amor. Ele dá sentido às nossas vidas. É o combustível que nos anima. Sem ele é difícil suportar o destino, ou amar a vida, como diz Morin.

O amor é-nos intrínseco, e, de acordo com certa visão científica, ele é o herdeiro de um certo sonho bacteriano: o sonho remoto de qualquer bactéria em se unir e fundir com outra.

O amor transmuta-nos, transforma-nos, ou afunda-nos (na sua falta). É ele que, inclusivamente, está na base de alguns dos nossos ódios, e de muitos crimes: por amor a uma certa ideia de Deus e a verdades religiosas interpretadas de forma estreita, encerrando uma concepção pobre do homem e da vida, os fundamentalistas muçulmanos cometeram morticínios como os do 11 de Setembro e do 11 de Março.

O terrorismo e o ódio podem ser formas pervertidas de amor. O amor frustrado, e tudo o que se opõe ao amor, tornam-se facilmente objecto de ódio. O amor esconde-se nos mais diferentes níveis da nossa existência e da nossa procura de felicidade e plenitude, e assume, por isso, diferentes formas, conteúdos e graus.




TABACARIA
Fernando Pessoa
Poemas sobre a vida e o seu sentido


Tabacaria, de Fernando Pessoa, é indubitavelmente um dos mais extraordinários poemas do século XX. Ele é característico da poesia de Pessoa, da sua componente filosófica, do questionamento que ele faz da vida e do seu sentido.

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(…)

Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(…)

Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.

Fernando Pessoa, 1888-1935, poeta português, Tabacaria

OS HOMENS AMAM A GUERRA


Não sei com que armas os homens lutarão na Terceira Guerra,
mas na Quarta, será a pau e pedra –Einstein

Os homens amam a guerra. Por isso
se armam festivos em coro e cores
para o dúbio esporte da morte.

Amam e não disfarçam.
Alardeiam esse amor nas praças,
criam manuais e escolas,
alçando bandeiras e recolhendo caixões,
entoando slogans e sepultando canções.

Os homens amam a guerra. Mas não a amam
só com a coragem do atleta
e a empáfia militar, mas com a piedosa
voz do sacerdote, que antes do combate
serve a hóstia da morte.

Foi assim na Criméia e Tróia,
na Eritréia e Angola,
na Mongólia e Argélia,
no Saara e agora.

Os homens amam a guerra
E mal suportam a paz.

Os homens amam a guerra,
portanto,
não há perigo de paz.

Saturday, May 05, 2007

Povo que lavas no rio


Povo que lavas no rio
Letra: Pedro Homem de Melo
Música: Fado Victoria

Povo que lavas no rio
E talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.

Fui ter à mesa redonda
Bebi em malga que me esconde
O beijo de mão em mão.
Era o vinho que me deste
A água pura, puro agreste
Mas a tua vida não.

Aromas de luz e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição.
Povo, povo, eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso,
Mas a tua vida não.

Povo que lavas no rio
E talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.

A casa da Mariquinhas


A casa da Mariquinhas
Letra: Silva Tavares
Música: Alfredo Duarte (Marceneiro)

É numa rua bizarra
A casa da Mariquinhas
Tem na sala uma guitarra
E janelas com tabuinhas

Vive com muitas amigas
Aquela de quem vos falo
E não há maior regalo
Que a vida de raparigas
É doida pelas cantigas
Como no campo a cigarra
Se canta o fado à guitarra
De comovida até chora
A casa alegre onde mora
É numa rua bizarra

Para se tornar notada
Usa coisas esquesitas
Muitas rendas, muitas fitas
Lenços de cor variada.
Pretendida, desejada
Altiva como as rainhas
Ri das muitas, coitadinhas
Que a censuram rudemente
Por verem cheia de gente
A casa da Mariquinhas

É de aparência singela
Mas muito mal mobilada
E no fundo não vale nada
O tudo da casa dela
No vão de cada janela
Sobre coluna, uma jarra
Colchas de chita com barra
Quadros de gosto magano
Em vez de ter um piano
Tem na sala uma guitarra

P'ra guardar o parco espólio
Um cofre forte comprou
E como o gaz acabou
Ilumina-se a petróleo.
Limpa as mobílias com óleo
De amêndoa doce e mesquinhas
Passam defronte as vizinhas
P'ra ver o que lá se passa
Mas ela tem por pirraça
Janelas com tabuinhas