Saturday, June 30, 2007

O pior já lá vai


O pior já lá vai

Dia 15/6/07: As Tempestades aparecem, vêm sem serem chamadas, zumbem nos nossos ouvidos sem mais aquele ou aquela. Foi uma corrida contra o tempo, tempo esse que numa demora um pouco mais longe e a fatalidade estaria presente.

A corrida para o Hospital começou em plena Lisboa já noite, o Hospital mais próximo era o escolhido, decisão sem recuo custasse o que custasse.

Foi um correr contra o tempo, tempo esse que parecia querer fugir do nosso alcance, chegar ao Hospital, British-Hospital-Lisboa, as horas rondavam as quase 22h. Não se sabia o grau de gravidade, a tensão era muita. Mais ainda, a Tensão Arterial era uma das ameaças mais gravosas, rondavam os ameaçadores 23 graus.

Os sintomas avançavam em enxurrada, fortes dores no peito começavam a aparecer, a doente acusava grande desgaste físico. A médica de serviço, uma jovem principiante espanhola começou por desvalorizar as queixas. A tensão arterial neste caso e noutros anteriores mostrou-se sempre manhosa e dissimulada arrastando a doente para o abismo, sobe, sobe (a tensão arterial) e não se dá por nada.

Entretanto fez-se luz na cabeça da jovem médica espanhola, o comprimido debaixo da língua apareceu, o alarme estava dado, os minutos eram de toda a importância, o médico cardiologista chegava, as análises diziam da sua verdade os resultados denunciavam a gravidade.

Sexta-Feira: 15 - A noite do internamento foi a 15 de Junho de 07 sexta-feira. Regressei a casa com um vazio no fundo do estômago, não era pela falta de alimentação mas sim pela assumida lesão grave que reinava na equipa em acção.

Sábado: 16 - Os primeiros cuidados a fazer com vista à estabilização do corpo tinham já começado, as expectativas eram de apreensão e esperança baseados no profissionalismo do pessoal técnico.

Domingo: 17 - Embora as visitas começassem às 14 horas, pelas 09 da manhã já lá estava, não fazendo nada, sempre transmitia a minha presença lá para os cuidados intensivos, onde se encontrava desde o dia do internamento. A ansiedade era constante mas havia também muita confiança no profissionalismo dos médicos e no trabalho em curso.

Segunda-feira 18 - Dia H, A intervenção começou, havia que se actuar com o Cateterismo no sentido de eliminar qualquer bloqueamento sanguíneo e, ou rotura, em artéria, coisa que se afigurava muito grave. Uma artéria foi desbloqueada via cateter e as boas notícias começaram a iluminar as vidas em causa através dum trabalho competente e da vontade de se seguir em frente. A sombra de um nome que assusta estava lá “Enfarte do Miocárdio”

Terça-feira 19 – Ainda foi um dia de muita debilitação, com tanto movimento e tanta ansiedade, mas a vontade de ultrapassar todo este combate ajudou a seguir-se em frente.

Quarta-feira 20 – Dia da Saída do British-Hospital, foi um tempo de ansiedade e espera, ainda muitas coisas a concluir, alongando-se até mais do Meio-Dia. Foi uma parte final feliz, dado o sucesso ansiado, mesmo sabendo-se desde o início que dadas as circunstâncias, recorremos ao Hospital que tínhamos mais perto e bem qualificado, arcando com todas as despesas, dado não termos acordo. Happy End é o importante.

Eduardo Moreira

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