Crianças abusadas
Perde-se a voz, perde-se o animo perde-se a vontade de escrever, nenhum tema apa
rece no fundo da alma, está tudo para lá de Bagdad. Como sempre fala-se de tudo por aí, mas os assuntos parecem-me todos gastos, é o dia a dia da desgraça e do disparate.
Até aquele horror do rapto da menina Madeleine me parece gasto, cada dia que passa aumentam os casos incompreensíveis e horrorosos e o mundo está a ver as coisas passarem como de uma coisa normal se tratasse.
O mais inverosímil é que não se pode cortar o mal pela raiz dado que as pessoas envolvidas nestes crimes estão agarrados ao crime por vício e impotentes para darem um passo atrás, crentes que seja justificável, não reconhecendo já o drama em que estão envolvidos e assumindo-o como que vergados a uma volta de cento e oitenta graus, na sua própria mentalidade, ao lado destes ainda aparecem os negociantes do crime.
A primeira acção deve ser a compreensão desta reviravolta que se opera no cérebro, mudaram-lhe as regras e a partir daí o regresso à normalidade humana é praticamente impossível. Os psicanalistas fazem zero, falam que se desunham, tudo muito elaborado e muito enrolado e daí não passam, não se pode contar com eles.
Há todo um tipo de viciados, nas coisas bastante leves e outras bastante pesadas e é nestas que as coisas são realmente muito graves. Enquanto não houver alguém que compreenda este fenómeno e avance para uma campanha maciça de alerta para esta chaga das sociedades em todo o Mundo nada se resolverá e o drama aumentará até se ter de tomar medidas violentas na libertinagem mundial.
Eduardo Moreira


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