Tuesday, February 27, 2007


A guerra preparada contra o Irão

Mais um erro crasso dos EUA e de Israel, ao anunciarem a preparação de um ataque ao grande País que é o Irão. Estes Países e os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU onde se encontram – Reino Unido, EUA, França, China e Rússia – e da Alemanha insistem em encontrar as melhores Sanções contra o País Irão.

Esta gente continua a pensar que pode tratar um País (seja ele como seja, é um País) como quem está a ralhar a um menino de escola que faz algumas maldades.

A ONU não gosta deste modo de actuar, mas também não é capaz de se afirmar no seu papel moderador. Está mais do que provado que recorrendo ao uso da força depois de tantas ameaças só pode levar a mais um fracasso, como está a ser o Iraque e também com o Afganistão, para não falar no Vietname.

Há um sentimento fortíssimo, de humilhação, por parte do Mundo Islâmico, agarrados a uma religião demasiado rígida e também por outras razões que vêm de trás. Ora, aí está o ponto sensível de toda a questão. Os outros Países deste nosso Globo têm a obrigação de compreender os sentimentos frustrantes destes milhões de seres humanos, que são nem mais nem menos do que todos nós.

Não é, pois, com os sofisticados armamentos em poder, numa das partes, que vão resolver o que quer que seja, pelo contrário agravam terrivelmente o equilíbrio que deveria haver em todo o Globo. Viu-se depois do 11 de Setembro 2001, que havia ali uma espécie de revolta nas almas dessas pessoas todas e vai daí homens e mulheres bombas, peito para a frente e morrem assim porque não têm outro meio de afogar a humilhação que lhes vai na alma.

Tive na hora a percepção que ali deveria de estar uma voz de compreensão do que tinha rebentado, não as Torres Gémeas de Nova Iorque, mas sim uma vontade de gritar ao mundo e dizer basta de os achincalharem. Eu disse logo naquela hora, “Não retaliar” , vão saber a razão do ódio, essa era e é a questão.

Quase ninguém sentiu esse simples pensamento, muitos diziam que não tinham com quem dialogar, mas tinham se tivessem essa vontade. Mário Soares, já bem mais tarde, disse-o na televisão e foi largamente criticado. Mais tarde já se ia aceitando isso, o diálogo, mas nas armas dos poderosos é que (não) se procuram as razões.

Mahmoud Ahmadinejad Presidente do Irão é uma amostra do que se está a passar, não suporta mais humilhações e expõe o corpo às balas. Com que direito, alguém pode ameaçar esmagar tudo naquele País só porque acha que ele é mais mau do os outros.

Eduardo Moreira

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