Sado
TejoNão me vou atirar ao Tejo nem ao Sado
A chuva não me deixa trabalhar, cai incessantemente, não sei porquê, esteve tanto tempo sem chover que agora até parece mal, é uma carga de artilharia molhada, muito molhada leva-nos a terra toda de arrasto, parece que está zangada com alguém, comigo não é, penso eu, já vai para a terceira semana consecutiva, arre que é demais. Os Alentejanos, que estão habituados à terra, estão a ser apanhados de surpresa, talvez o ciclo habitual das chuvadas.
As terras, que já tinham a cor verde, planícies verdinhas, tenrinhas, até dão gosto. Mas as terras enladeiradas deixam arrastar a terra, e lá vai a semente que se lançou. Tem sido uma luta para conservar alguma coisa, contudo, a água tem sempre o nosso perdão e raramente a achamos demais, mas, que estas semanas têm sido demais têm.
Há algum desespero, por vários motivos, porém, a vida é assim, cheia de isto e aquilo, isto é a obra da criação, essa Senhora implacável, e infalível, sabe tudo e tudo controla à sua maneira, dá-nos liberdade para podermos ver a maravilha da natureza, cada um de nós tem o privilégio de saber de SI, já há animais selvagens que, de forma remota, reconhecem-se, é o Elefante, o Golfinho e o Chimpanzé.
A meter água, estamos nós muitas vezes, nesta passagem desta vida, é uma passagem que passa depressa demais para alguns, para outros há entulhos por tudo quanto é sítio e então aí a vida passa depressa porque acham que a dita está a acabar sem que dela bebêssemos o mínimo da maravilha que aqui deslumbra a nossa vista e sasseia a nossa alma. Temos ainda a maior dos nossos encantos nesta passagem, é aquela que nos eterniza na descendência.
Está aí, para além de toda a beleza que desfrutamos, o maior de todos os milagres que a natureza nos tem presenteado, que é ser progenitor e assim a tal passagem continuar, sem corte, voando no espaço e na terra, dando-nos ainda a maior de todas as forças que se sente no dia em que nos aparece o pequenino bebé nos braços de sua Mãe. Nesse momento começa uma outra vida, aquela em que o mais importante é aquele ou aqueles que foram chegando. Para os Pais, todos, não há um único dia em que o dever de cuidar dos seus descendentes, não seja, de tal maneira mais forte,
que qualquer obstáculo, seja de que grandeza for.
É por isso que não me vou atirar ao Tejo nem ao Sado.
Eduardo Moreira
A chuva não me deixa trabalhar, cai incessantemente, não sei porquê, esteve tanto tempo sem chover que agora até parece mal, é uma carga de artilharia molhada, muito molhada leva-nos a terra toda de arrasto, parece que está zangada com alguém, comigo não é, penso eu, já vai para a terceira semana consecutiva, arre que é demais. Os Alentejanos, que estão habituados à terra, estão a ser apanhados de surpresa, talvez o ciclo habitual das chuvadas.
As terras, que já tinham a cor verde, planícies verdinhas, tenrinhas, até dão gosto. Mas as terras enladeiradas deixam arrastar a terra, e lá vai a semente que se lançou. Tem sido uma luta para conservar alguma coisa, contudo, a água tem sempre o nosso perdão e raramente a achamos demais, mas, que estas semanas têm sido demais têm.
Há algum desespero, por vários motivos, porém, a vida é assim, cheia de isto e aquilo, isto é a obra da criação, essa Senhora implacável, e infalível, sabe tudo e tudo controla à sua maneira, dá-nos liberdade para podermos ver a maravilha da natureza, cada um de nós tem o privilégio de saber de SI, já há animais selvagens que, de forma remota, reconhecem-se, é o Elefante, o Golfinho e o Chimpanzé.
A meter água, estamos nós muitas vezes, nesta passagem desta vida, é uma passagem que passa depressa demais para alguns, para outros há entulhos por tudo quanto é sítio e então aí a vida passa depressa porque acham que a dita está a acabar sem que dela bebêssemos o mínimo da maravilha que aqui deslumbra a nossa vista e sasseia a nossa alma. Temos ainda a maior dos nossos encantos nesta passagem, é aquela que nos eterniza na descendência.
Está aí, para além de toda a beleza que desfrutamos, o maior de todos os milagres que a natureza nos tem presenteado, que é ser progenitor e assim a tal passagem continuar, sem corte, voando no espaço e na terra, dando-nos ainda a maior de todas as forças que se sente no dia em que nos aparece o pequenino bebé nos braços de sua Mãe. Nesse momento começa uma outra vida, aquela em que o mais importante é aquele ou aqueles que foram chegando. Para os Pais, todos, não há um único dia em que o dever de cuidar dos seus descendentes, não seja, de tal maneira mais forte,
que qualquer obstáculo, seja de que grandeza for.
É por isso que não me vou atirar ao Tejo nem ao Sado.
Eduardo Moreira

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